Projeto de construção de lojas no terreno do Palácio diocesano em Petrolina

Desde o começo do mês de agosto foi iniciado o projeto de construção de um shopping popular no terreno que faz parte da área do Palácio diocesano, localizado na praça Dom Malan, no centro de Petrolina, PE. Porém, no último dia 18 de agosto, o bispo emérito, dom Paulo Cardoso, em carta ao clero da diocese expôs oposição ao projeto, repercutindo nos meios de comunicação da região. A postura do bispo emérito, bastante crítica ao projeto de construção do shopping popular, provocou manifestação da administração diocesana através do padre Antônio Malan de Carvalho, em carta aberta a população.

Leia a carta na íntegra e os aspectos técnicos:

Aos estimados irmãos e irmãs da Diocese de Petrolina

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

Diante das recentes publicações de D. Paulo Cardoso, sobretudo nas redes sociais, somos obrigados a nos pronunciar, não sem um grande constrangimento, por tratar-se de um bispo da nossa Mãe Igreja. Mesmo sendo bispo emérito, sempre tivemos por D. Paulo todo respeito e atenção. Ocorre que um bispo, por ofício, por amor e vocação tem o dever de zelar, em qualquer circunstância, pela unidade da Igreja. Não é razoável, nem cristão, sequer sugerir, quanto mais favorecer e/ou alimentar divisões na Igreja de Jesus Cristo que, afinal, pediu em oração: “para que todos sejam um, como tu, Paiestás em mim e eu em ti” (Jo 17, 21).

A exposição dos assuntos eclesiais e administrativos da Diocese, como foi feita, causa profundo mal-estar em todo o corpo eclesial da Diocese. Repito: é constrangedor e dói profundamente na nossa alma cristã e católica, admitir publicamente que ficamos perplexos e decepcionados com as publicações recentes, até porque, como bispo diocesano durante 27 anos, D. Paulo sempre mereceu do seu presbitério amor, respeito e colaboração, como deve ser, entre o Bispo e o seu clero.

Constrangidos, sentimos também, no momento, muito arrependimento por não termos buscado antes, com D. Paulo, uma correção fraterna, como, aliás, o Evangelho nos ensina. Motivos, não faltaram. Baste-nos, no momento, recordar a conhecida postura de D. Paulo em relação à reforma da Catedral e da Igreja Matriz. Se dependesse dele, certamente a nossa Catedral não estaria como está agora, em todo o seu esplendor e beleza; tampouco a Igreja Matriz teria recebido o tratamento que recebeu recentemente. Quem tem olhos, olhe, veja!

Com a devida atenção, não é difícil perceber que as recentes publicações de D. Paulo seguem a mesma lógica: o que é bom e belo é, no seu entender, apenas luxo, daí a sua oposição.

A argumentação de zelo pelo patrimônio histórico é incompatível com a omissão em relação aos efeitos do tempo nas construções. Ora, neste sentido, as construções da Igreja não são diferentes das outras construções: elas também sofrem o desgaste do tempo. Não cremos ser necessário elencar estes desgastes em nossas construções que, em 27 anos de governo de D. Paulo não mereceram nenhuma ação precisa de restauração e conservação; a situação da Catedral era crítica, bem como a da Matriz, do Palácio e do Palacinho (mais histórico do que o próprio Palácio, considerando que foi a primeira residência do Bispo diocesano!).

Pena que a população não tenha conhecimento de tudo. Teria sido de grande valia se todos pudessem, ao menos uma vez, ter entrado no Palácio nos últimos anos, percorrendo algumas dependências e, sobretudo, a famosa área onde pretendemos construir. Para quem não sabe, ali havia apenas gatos de rua, muitos insetos e lixo acumulado, com sérios riscos à nossa saúde. Tudo isto, ao lado de quatro mangueiras e um pé de seriguela, em meio ao estacionamento reservado aos padres e funcionários. Valeria saber do real estado de abandono do Palácio Diocesano. Valeria conhecer as alterações inadequadas que, ao longo dos anos foram ali realizadas: banheiros, lavanderia, cozinha, claustro, com muita “gambiarra” nas instalações elétricas e também improvisações hidráulicas.

No entanto, o projeto em questão, tão criticado, prevê a restauração responsável, mediante análise de quem entende: arquitetos, designers, engenheiros e outras pessoas do ramo. Estamos trabalhando na rede elétrica e hidráulica, sem “gambiarras”. Estamos tirando o lixo, separando o que pode ser útil e acomodando num depósito construído em outra área da Diocese. Com isto, estamos liberando pelo menos duas grandes dependências do Palácio que estavam, até então, sendo utilizadas como depósitos, cheios de entulhos e coisas imprestáveis. Estas dependências serão, com a nossa intervenção, o Economato, incluindo o Setor Pessoal da Administração, e um Secretariado de Pastoral. Quem conhece o mínimo de estrutura para funcionamento de uma Diocese, sabe da importância destes espaços.

O que dizer, ainda? Não, nós não somos estúpidos! Estupidez e muito pessimismo seria admitir que, num projeto que reúne bispo, padres, empresários e alguns profissionais (da área do Direito, da construção civil), fossem todos, igualmente, desprovidos de inteligência e bom senso. Alguém aposta nisto? Subestimar a capacidade de quem pensa diferente é, no mínimo, presunção e orgulho.

Quanto a nós, os legítimos responsáveis pela condução da nossa Diocese, a saber, Colégio de Consultores e Administrador diocesano, até que seja eleito e tome posse o novo Bispo diocesano, temos suficiente conhecimento sobre o valor histórico e afetivo do nosso patrimônio. E aquilo que nós não sabemos, até porque não somos donos da verdade, temos a humildade para consultar quem sabe. E isto, no caso em questão, foi feito, tenham todos a mais absoluta certeza.

A propósito, é fundamental que a população leia com atenção o texto anexo – Aspectos técnicos do Projeto. Acima de tudo, convém compreender onde queremos chegar: devolver à população, principalmente aos católicos, o Palácio diocesano restaurado e digno do seu fundador, D. Malan. Quer dizer: o Palácio continuará com a mesma estrutura e no mesmo lugar, mas com condições de voltar a ser a residência do Bispo, se assim o futuro Bispo preferir. No que depender do clero, o Bispo que vier terá o direito de escolher sobre a sua residência.

É preciso insistir: muito do que foi divulgado antes é falso; são muitas inverdades que, arquitetadas como foram, só criam animosidade e divisão, influenciando, negativamente, a opinião pública. Que fique bem claro: nunca, entre nós, foi cogitado vender o Palácio! Aqui vale recordar que, numa outra ocasião – não faz muito tempo – saiu um boato que a Diocese estava arrendando a Emissora Rural à Prefeitura! Todos sabem, agora, o que aconteceu realmente! Tudo não passou de boato, conversa “sem pé nem cabeça”. Com que intenção? Sabe Deus!

Para além do que foi dito (mesmo que ainda não seja tudo), cremos que, bem acima de tudo, está Deus. Portanto, caros irmãos e irmãs, permitam valermo-nos desta para recordar que não vale a pena ficar amargurado nem triste. Amargura e tristeza não combinam com a luz do Espírito Santo. Tenhamos fé: a Providência não nos faltará!

Quem tem fé, continue rezando: por D. Paulo – ele é nosso irmão! Por D. Manoel, por gratidão, pelo seu zelo de pastor. Pela eleição do novo Bispo, sobretudo para que não demore muito. Por todos nós, para que, como rebanho, saibamos cultivar e praticar as virtudes da humildade e da obediência ao pastor.

Enfim, diletos irmãos e irmãs, empreguemos toda a nossa inteligência, nossas energias, nosso amor à Igreja e, sobretudo a nossa fé cristã, a fé batismal, pela qual fomos inseridos na Igreja, para edificar e unir. Esforcemo-nos para sermos, realmente, Povo de Deus. Seguramente, se nos aplicarmos no verdadeiro amor, a Deus e aos irmãos, não estaremos longe do Reino de Deus (cf. Mc 12, 28-34) e sim, bem próximos da Verdade e da sua santa vontade!

Deus abençoe a cada um de nós; Deus abençoe as famílias; Deus abençoe a nossa Diocese.

– Nossa Senhora Rainha dos Anjos, intercedei por nós!

Petrolina, 22 de agosto de 2017

Pe. Antônio Malan de Carvalho

Petrolinense, de nascimento e de coração, Graças a Deus!

ADMINISTRADOR DIOCESANO

ASPECTOS TÉCNICOS DO PROJETO

Em face dos últimos acontecimentos em torno da execução do projeto comercial Shopping Popular Dom Malan, se faz necessário esclarecer alguns pontos:

Pelo Plano Diretor vigente em nossa cidade, o projeto encontra-se encravado em uma Zona de Patrimônio Histórico – ZPH.

Por estar localizado em uma ZPH, o projeto deve seguir os parâmetros urbanísticos presentes no Caput do Artigo 112, Inciso I, bem como no Parágrafo Primeiro, Incisos II, III e IV do mesmo artigo.

Por meio destes comandos legais, o projeto, classificado como de caráter não-habitacional, possui 3,66 metros de afastamento frontal na fachada principal (mínimo 3,00 m) e 3,00 metros de afastamento na fachada secundária (mínimo 3,00 m).

Por estar colado em uma divisa lateral e em uma divisa de fundo, o projeto apresenta afastamento de 1,50 metros e 1,57 metros na outras respectivas divisas laterais, além de possuir altura de 7,00 metros.

Como podemos observar, o projeto segue fielmente ao que determina a Lei, vez que ocupa um percentual de 50,90%, ou seja,1.292,15 m2 em relação a área total do terreno que é de 3.547,44 m2, sendo que destes ainda restarão 12,75%, ou seja, 452,35 m2 destinados a áreas verdes, inclusive com a preservação das árvores existentes na fachada do Palácio Episcopal.

Vale salientar que o terreno ora combatido já possuía benfeitorias (Antiga Livraria São Paulo, Consultório Odontológico e um Escritório Comercial), estando todas elas destinadas à obtenção de renda por meio de aluguéis a terceiros.

Diante do insucesso desta empreitada, tendo em vista que a área se encontra há bastante tempo desalugada, a Diocese resolveu estabelecer uma parceria com um grupo empresarial da cidade, por meio do qual a referida área venha a agregar valor por meio da execução do projeto supracitado.

Por meio desta parceria, a Diocese terá uma renda por mais de 20 anos, uma vez que parcelas desses aluguéis serão destinadas para a cobertura de despesas das mais diversas.

E não é só. Todas as benfeitorias realizadas pelo grupo empresarial serão futuramente incorporadas ao patrimônio da Mitra Diocesana.

Em nenhum momento houve transferência de propriedade ou alienação, de qualquer natureza, da área para terceiros.

Ainda mais. O grupo empresarial não apenas assumiu o compromisso de executar o projeto supra, como também assumiu o compromisso de fazer a restauração do Palácio Episcopal, a fim de que o mesmo volte a cumprir com sua função, haja vista que atualmente o mesmo se encontra em situação de abandono e de degradação física e estrutural.

Por fim, essas são algumas considerações técnicas que visam ao esclarecimento da população petrolinense.

Petrolina, 22 de agosto de 2017

Francisco Patriota

 

 

 

 

 

 

 

 

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